Ser plena, é estar sozinha. Saber o valor da minha própria companhia. Querer-me, como quero os meus. Guiar-me, qual bússola certeira, por um caminho nem sempre reto, mas de aprendizagem, chamado “Vida”.
Ser plena, é saber o momento certo de parar. É alargar as amarras que me prendem cegamente, que me tapam a luz e que me fazem render a um alguém que não sou.
Ser plena, é observar-me ao espelho e saber aceitar o que ele me devolve. É acolher os fantasmas do passado, com o mesmo empenho com que planeio o futuro, mesmo sabendo que todos os projetos podem sofrer o cruel embalo da realidade.
A plenitude de quem sou, não se mede pelo que ficou pelo caminho, pelo que deixei para trás contra a minha vontade, pelo que tentei reter e que me escapou, inevitavelmente, por entre os dedos. A plenitude que me define, ergue-se juntamente com as vezes em que me levanto depois de cair, com os momentos em que decido (e consigo!) continuar em frente mesmo que haja pedras no caminho, com as vezes em que gritei “Basta!” e tive a coragem de dar um murro na mesa e deixar o meu lugar à disposição…
Ser plena, é estar sozinha, mas acompanhada por quem me puxa a mão e segue comigo. É saber sorrir todos os dias, ainda que a escuridão teime em aparecer. É vencer as batalhas, derrubar os próprios tombos e amparar as quedas, quando estas me tentam atirar ao chão.
Ser plena, é relativizar o extremamente complicado e exacerbar o puramente simples, tendo a sensibilidade de perceber que são os pequenos detalhes que fazem a diferença – e que mais importância têm!
Ser plena, é ser eu! Com todos os defeitos, limites e falhas. Com todas as virtudes, vitórias e triunfos.
Pois só quem se sente completo, com tudo o que foi, é, e se prepara para ser, pode acreditar que ainda há saída, num mundo onde é cada vez mais difícil esperar seja o que for.


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