Olhei para trás, a imaginar o que não tive, o que não fui e o que não aconteceu.
Acho que não há nada pior, nem mais extenuante, do que perder tempo com o que nunca foi, nem nunca será.
Um rol de questões assalta-me a cabeça:
“Porque é que não permaneci, em vez de continuar em frente?”
“Porque é que não tentei mais uma vez, em vez de cortar e mudar o rumo?”
“Porque é que não chorei novamente até quase sufocar e, ao invés, decidi sorrir, mesmo com a alma a arder e o coração em carne viva?”
Talvez a resposta seja simples:
Porque aprendi a navegar (ainda que a custo) na senda do amor-próprio.
Não há nada que custe a nossa paz.
Mesmo as “pessoas certas”, os “amores apaixonantes”, os “melhores amigos” e os “familiares dedicados”.
Mesmo a tradição, o valor ou o sangue.
Nada, nem ninguém.
Onde não há paz, não há amor. Onde não há transparência, não pode haver estabilidade.
Não são as metades que fazem o todo. O que é inteiro é que não precisa de se dividir.
E é esta a (dura) realidade.
Fiz das tripas coração para a reconhecer e aceitar. E, agora que a abracei, não quero outra coisa.
Protejo-me no meu casulo, porque assim fico mais forte. Como um cavaleiro reluzente com escudo e armadura, blindo-me ao que me esgota a energia, em vez de a renovar.
E assim, ganho mais tempo.
Tempo para viver o que ainda não vivi, mas que pode ser vivido...
O ontem já não se traduz em ameaça. O futuro é um espaço em branco.
Quem foi, já não está. Quem está por vir, que feche a porta quando chegar.
Eu encontro-me no hoje e é nele que tenho de me focar, sabendo que o agora sou eu e que eu é que tenho a chave para decidir se tranco o que já não me acrescenta, ou se o solto com a brisa da manhã…


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